perdemos o limite

Santos perdeu o limite. Perdemos o limite de andares, de ocupação, de áreas impermeáveis, de altura, de crescimento, de vagas, de valores imobiliários, de carros. Nos consideramos “a bola da vez”, agora é a hora de investir. Então venham empreendedores! Venham com seus bolsos cheios, fazer de nós a Dubai brasileira! Não existe limite para o crescimento urbano onde não existe planejamento urbano. Substituímos este conceito, por ganância e promessas de falso crescimento.

A primeira vez que vi esta foto tive um mal estar. Me parece uma imagem do começo do fim. Consigo ver nela as outras torres brotando ao redor do gigantesco empreendimento. Tenho uma sensação horrível diante deste quadro. A cor do céu na foto, remete o forte calor santista e as imensas torres bloqueando a brisa do mar. Algumas quadras para trás, o ar não circula, o microclima abafado favorece o aparecimento de mosquitos transmissores de doenças entre outras coisas. Para mim esta foto é uma visão apocalíptica! 😦

Pelo menos quando vier o tsunami as torres vão segurar a onda antes de chegar na minha casa. 😉

Então vou falar de super verticalização. Para quem acha ótimo, eu digo que é puramente um maior andesamento. Estamos substituindo um terreno, um galpão, um conjunto de casas, um clube, estacionamento, etc, por uma torre com 40 andares e 160 aptos! Um adensamento maior gera sobrecarga na infraestrutura urbana, nas vias públicas, no sistema de esgoto, de água, energia, lixo, etc. As novas torres ainda agregam um segundo aporte negativo, que é a super oferta de vagas para veículos, com 4 ou até 5 vagas para cada apto, apinhando o tráfego e sufocando o pedestre.

Ainda existe a questão da escala humana, a escala do homem em relação a cidade. Estes arranha céus massificam e oprimem nosso ambiente visual, e prejudicam a relação das pessoas com a cidade. A importância da escala humana se nota em cidades da Europa, onde o homem se incorpora do ambiente ao seu redor, com passeios públicos sombreados, praças, gabaritos de altura das edificações uniformes e adequadas, enfim, uma série de fatores que tornam tão aprazíveis ao caminhar por estas cidades. As super torres prejudicam a ensolação de todo um bairro, dificultam a ventilação, interferem na paisagem. Alguns dos belos cartões postais da cidade, as vistas dos morros estão desaparecendo. Isso é um crime ao patrimônio ambiental e fere a identidade da cidade.

Qualquer intervenção na cidade afeta todo a sua infraestrutura. Não podemos pensar em ocupação urbana sem pensar no impacto que ela provoca. Isto é planejamento urbano, este conceito existe e deve ser mais aplicado nas cidades brasileiras, independente dos interesses econômicos e políticos.

Anúncios

Tags:, , , , , , , , , ,

About Ana Paula

Sou Ana Paula, arquiteta e paulistana. Atualmente santista. Santos é a cidade que escolhi viver. A cidade para mim tem que manter sua identidade e a identidade de seus habitantes. Uma grande cidade tem que garantir mobilidade. Tem que dar segurança e provocar liberdade. Toda cidade tem que ser humana e nunca deve ceder o espaço das pessoas para as máquinas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: