CEU e bicicleta

Neste sábado (31), tem início o programa Escolas de Bicicleta. A cidade de São Paulo terá as primeiras escolas de formação de ciclistas urbanos, em um formato inédito no mundo. O evento será no Centro de Convivência Educativo e Cultural de Heliópolis (zona Sul) e tem início às 9h, com um passeio ciclístico de seis quilômetros, pelas ruas do bairro.

Localizadas nos 45 Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade e no Centro de Convivência Educativo e Cultural de Heliópolis, asEscolas de Bicicleta são o centro de um programa de educação e sustentabilidade, criado pela Secretaria Municipal de Educação, envolvendo inicialmente 4,6 mil alunos que darão suas pedaladas em bicicletas de bambu, que nunca circularam no Brasil.

Até o fim de 2012, cada Escola de Bicicleta terá 100 alunos ciclistas, entre 12 e 14 anos, que farão diariamente o trajeto casa-CEU-casa em comboios de 15 a 25 estudantes. Dentro da escola eles terão paraciclos para o estacionamento das bikes e monitores treinados pela Secretaria, pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pelo Instituto Parada Vital, para ensinarem desde noções de equilíbrio até regras de trânsito e manutenção das bicicletas. Ultrapassados os muros da escola, os alunos ganham juntos as ruas do bairro, em ciclo-rotas criadas por uma equipe do CEU e aprovadas pela CET.

Para pôr no asfalto essa ideia, a Secretaria Municipal de Educação teve como consultor o dinamarquês, especialista em mobilidade urbana, Mikael Colville-Andersen, que criou o conceito Copenhagenize, uma proposta para inspirar as cidades de todo o mundo a se tornarem amigas dos ciclistas, como é a capital da Dinamarca, onde 37% da população (500 mil pessoas) usa a bicicleta como meio de transporte todos os dias. Segundo Mikael, com este novo programa, as crianças e jovens criarão a “cultura da bicicleta emergente”, ou seja, as bicicletas são um símbolo daquilo que se deseja para a cidade. “Não é uma questão de tirar todos os carros da rua, mas de promover o retorno das bicicletas, pela saúde das crianças, para transformar as comunidades em lugares melhores para se viver.” Para ele, “o programa vai inspirar muitas cidades ao redor do mundo”.

Preparando um ciclista – A Secretaria Municipal de Educação, o Instituto Parada Vital e a CET formularam uma metodologia conjunta para treinar e capacitar monitores que atuarão diretamente com os alunos nos CEUs. Serão 92 monitores ao todo, sendo dois por unidade. Além de conhecimentos sobre legislação, normas e regras de trânsito na cidade de São Paulo, os monitores terão curso de primeiros socorros, aprenderão sobre a mecânica das bikes e estarão capacitados a ensinar o aluno a pedalar, ter equilíbrio, autonomia com as mãos, entre outros aspectos cognitivos.

O caderno de um aluno de uma Escola de Bicicleta terá lições sobre legislação de trânsito, transporte sustentável, estilos e modalidades de bicicleta, oficina de mecânica e montagem de bicicleta, história e cultura da bicicleta, educação ambiental, e até orientações sobre liderança e mediação de conflitos. Terminadas as anotações é hora de subir na bike e treinar equilíbrio, postura e resistência. Até mesmo a criança que nunca andou de bicicleta poderá se tornar um aluno ciclista.

Os principais critérios para a escolha dos jovens são: ser aluno da escola de Ensino Fundamental do CEU; ter entre 12 e 14 anos; morar no entorno da ciclo-rota indicada; ter o consentimento dos pais. Ao final de um mês de aula, cada aluno receberá um diploma, entregue na presença dos pais, para que possa, a partir daí, fazer o trajeto diário casa-CEU-casa de bicicleta com seus amigos.

Segundo o coordenador-geral do programa, Daniel Guth, a segurança será garantida pelos monitores, pelas ruas tranquilas, onde o compartilhamento já é natural, pelo apoio da CET e pela conscientização de toda comunidade. “O comboio tem esse papel educativo que é diário: você tem uma bicicleta que é de bambu, colete, capacete, monitor, crianças juntas; na primeira semana o bairro todo já sabe daquilo e passa a respeitar.” E completa: “Copenhague não é São Paulo, mas São Paulo pode ser cada vez mais Copenhague”.

Bicicletas de Bambu – As bicicletas do programa são customizadas e inéditas no país. Os quadros feitos de bambu foram criados pelo designer brasileiro Flávio Deslandes, que inventou a primeira bicicleta de bambu em 1995 e hoje desenvolve seus projetos na Dinamarca. No Brasil, elas circularão por São Paulo com os alunos das Escolas de Bicicleta. Além das bikes, serão entregues capacetes, iluminação, colete refletivo, bagageiro e alforje, buzina, espelho retrovisor e cadeado para cada aluno. A Secretaria Municipal de Educação investiu R$ 3,1 milhões na implantação do programa e para a manutenção será destinado R$ 1,4 milhão por ano.

Outra aula de sustentabilidade motivará toda a comunidade escolar: a gincana ecológica de coleta e reciclagem de garrafas PET. Diariamente, os alunos e os pais poderão levar garrafas PET para descartar em contêineres. Uma vez por mês este material será triturado, pesado e retirado do CEU para sua correta destinação. A cada pesagem, 20 bicicletas serão entregues para o CEU que arrecadou a maior quantidade de PETs. Ao todo, quatro CEUs receberão 20 bicicletas a mais, por meio da gincana, além das 100 previstas pelo programa.

Lançamento Escolas de Bicicleta

Quando: Sábado, 31 de março

Local: Centro de Convivência Educativo e Cultural de Heliópolis – Estrada das Lágrimas, 2.385

Hora: 8h – início da concentração para o passeio e retirada de kit

9h – saída do passeio

11h30 – Baile do Simonal – Max de Castro e Simoninha

Outras atividades: Sorteio de uma bicicleta de bambu, Bike-vapor, Cine-bike, Aprendendo a pedalar, Gincanas de bicicleta, Mecânica e conserto de bike, Pintura de rosto e bexiga

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About Ana Paula

Sou Ana Paula, arquiteta e paulistana. Atualmente santista. Santos é a cidade que escolhi viver. A cidade para mim tem que manter sua identidade e a identidade de seus habitantes. Uma grande cidade tem que garantir mobilidade. Tem que dar segurança e provocar liberdade. Toda cidade tem que ser humana e nunca deve ceder o espaço das pessoas para as máquinas.

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